Maio de 2026: flex responde por 68,81% e eletrificados por 19,54% do mercado
O flex fuel manteve domínio absoluto na divisão do mercado brasileiro de veículos novos em maio de 2026: 182.111 unidades licenciadas, ou 68,81% do total. Na ponta oposta, os eletrificados (elétricos puros + híbridos + plug-in) somaram 19,54% do mix, contra 10,39% em 2025. Os dados são da Anfavea e cobrem o licenciamento via Renavam.
O flex fuel manteve domínio absoluto na divisão do mercado brasileiro de veículos novos em maio de 2026: 182.111 unidades licenciadas, ou 68,81% do total. Na ponta oposta, os eletrificados (elétricos puros + híbridos + plug-in) somaram 19,54% do mix, contra 10,39% em 2025. Os dados são da Anfavea e cobrem o licenciamento via Renavam.
Por que a divisão por combustível importa mais que o ranking de marcas
O ranking mensal de marcas eletrificadas — onde BYD, GWM e Geely se revezam na liderança — já é cobertura amplamente disponível. Mas ele responde a uma pergunta de quem vende, não de para onde a frota está indo. A divisão por combustível mostra quanto de cada tecnologia entra no Brasil a cada mês: se o flex está cedendo terreno de fato; se o híbrido sem plug é o degrau intermediário que vai sustentar a transição; se o 100% elétrico ainda é nicho premium ou já virou produto de varejo.
A Anfavea publica essa granularidade exclusivamente em sua planilha mensal — a Fenabrave reporta apenas o ranking de marcas eletrificadas. Por isso, é olhando para o mix que se mede a velocidade real da eletrificação brasileira.
Como o mix se dividiu em Maio de 2026
O flex fuel seguiu absoluto, com 182.111 unidades — equivalente a 68,81% de todos os leves licenciados. Esse domínio é fruto de mais de duas décadas de infraestrutura de etanol consolidada e da pesada matriz de produção das montadoras instaladas no Brasil, que continuam priorizando motores bicombustíveis. O diesel respondeu por 23.595 veículos (8,92%), concentrado em comerciais leves e SUVs grandes — categorias onde a tração combinada com torque diesel ainda não tem substituto comercial relevante. A gasolina pura somou 7.237 emplacamentos (2,73%), praticamente restrita a importados premium que não foram homologados para etanol.
Eletrificados: três velocidades distintas
Olhando para dentro do bloco eletrificado, fica claro que o consumidor brasileiro está escolhendo caminhos diferentes — e em ritmos muito diferentes — para sair do motor a combustão pura.
Os híbridos sem plug (HEV) lideram o bloco eletrificado em volume — são veículos que não dependem de tomada e oferecem economia imediata na bomba, o que tem facilitado a adoção por quem trocaria de carro de qualquer forma. Os híbridos plug-in (PHEV) crescem como ponte para quem quer experimentar a recarga doméstica sem perder a autonomia do tanque. Os 100% elétricos (BEV) avançam mais devagar em volume absoluto, mas em ritmo percentual têm sido os que mais aceleram quando há lançamentos de modelos abaixo da faixa de R$ 200 mil — patamar em que BYD Dolphin e Volvo EX30, por exemplo, brigam diretamente com SUVs flex tradicionais.
Tabela completa: vendas e participação por combustível — Maio de 2026
| Combustível | Maio de 2026 | Participação | Var. participação YoY | Acumulado 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Flex Fuel | 182.111 | 68,81% | ▼ 6.8 p.p. | 772.711 |
| Diesel | 23.595 | 8,92% | ▼ 1.1 p.p. | 104.888 |
| Híbrido | 14.866 | 5,62% | ▲ 1.8 p.p. | 62.910 |
| Híbrido Plug-in | 15.829 | 5,98% | ▲ 2.6 p.p. | 58.188 |
| Elétrico | 21.019 | 7,94% | ▲ 4.7 p.p. | 69.694 |
| Gasolina | 7.237 | 2,73% | ▼ 1.2 p.p. | 32.471 |
Como o mix evoluiu mês a mês em 2026
| Mês | Total leves | Flex | Eletrificados | Diesel |
|---|---|---|---|---|
| Janeiro | 162.872 | 67,69% | 16,86% | 11,63% |
| Fevereiro | 177.172 | 71,30% | 15,87% | 9,52% |
| Março | 258.700 | 72,79% | 15,48% | 9,05% |
| Abril | 237.461 | 69,79% | 18,30% | 9,29% |
| Maio | 264.657 | 68,81% | 19,54% | 8,92% |
Comparando Janeiro com Maio, é possível medir a velocidade da transição dentro do próprio ano: meses em que o flex perde participação geralmente coincidem com lançamentos relevantes de eletrificados ou com aceleração das importações chinesas — historicamente o vetor mais forte de crescimento do BEV no Brasil.
Motorização: 1.0 segue absoluto entre os automóveis
Cruzando o mix de combustível com a motorização dos automóveis, os 1.0 responderam por 55,45% dos motores em maio de 2026 (107.421 unidades). Motores de 1.0 a 2.0 somaram 42,53% (82.405), e os acima de 2.0, apenas 2,02% (3.916). Esse perfil — pequeno cilindrada, alta eficiência, flex fuel — é exatamente o tipo de carro que a eletrificação plena terá mais dificuldade de substituir no curto prazo, dado o preço de entrada dos BEVs equivalentes.
O que mudou em um ano
Em comparação ao mesmo mês de 2025, os eletrificados ganharam 9.2 pontos percentuais de participação no mix (de 10,39% para 19,54%). O flex fuel, na direção oposta, cedeu 6.8 p.p. (de 75,59% para 68,81%).
Em volume absoluto, isso significa que para cada 100 carros novos que rodavam a etanol em maio de 2026 de 2025, aproximadamente 9% deixaram de ser flex — e a maior parte dessa migração foi capturada pelos eletrificados, não pelo diesel ou pela gasolina.
O que esperar nos próximos meses
Com eletrificados já acima de 18% do mix mensal, o Brasil se aproxima do patamar em que a transição deixa de ser dirigida por entusiastas e passa a ser massificada. O próximo marco psicológico — 25% do mercado — depende muito mais da chegada de modelos abaixo de R$ 150 mil do que de novos incentivos fiscais. As importações chinesas em curso e o início de produção local de BYD e GWM tendem a manter a pressão sobre essa fronteira ao longo de 2026.
📊 Sobre estes dados
Este artigo foi elaborado com base nos dados mensais de produção, emplacamento e exportação de autoveículos divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), referentes a 2026-05. A Anfavea consolida as informações enviadas pelas montadoras associadas e cruza com dados oficiais do Renavam.